Classe de Harmônica

Pablo Fagundes - Coordenador da Classe

Pablo é um músico por essência. A crença no aprendizado do instrumento gaita sempre apontou na certeza de que o estudo e a determinação faziam a diferença, eram o começo da história. O talento desvendado na gaita diatônica em meados de 1992 repercutia as raízes negras do blues e do jazz, despertadas pelo fascínio da música. Tempos depois, o predomínio da música brasileira trouxe junto o desafio da gaita cromática. O objetivo aí estava traçado. Um dos meios de alcançá-lo veio com a formação pela Escola de Música de Brasília, enquanto consolidava a convicção de que o universo é o limite da música, o aprendizado, eterno. Nessa sequência de realizações e descobertas, uma delas marcou os rumos na construção do ser profissional. A generosidade professoral de Maurício Einhorn, lenda viva do instrumento, abriu novos e claros horizontes para o músico, que Maurício já considerava de “rara habilidade e sensibilidade”. Cabia a Pablo fazer a sua parte. Antes, na Universidade de Brasília, o lado musical inquieto havia desembocado em um projeto inédito de Graduação em Engenharia Florestal. O futuro engenheiro mirou longe na construção de gaitas diatônicas com madeiras brasileiras não ameaçadas de extinção. Mirou certeiro na profissão do coração. A pesquisa, em parceria com o Laboratório de Produtos Florestais do Ibama, definiu 12 espécies de madeira, entre 50 selecionadas para a produção de instrumentos musicais. A alegria do projeto aprovado ecoa ainda na reverência do músico à expertise e incentivo de seu orientador, dr. Mário Rabelo. A produção das gaitas concebidas teve suporte técnico da Hering Harmônicas e ganhou o mundo exportadas pela fábrica brasileira. Há 12 anos, Pablo é endorsee da fábrica de instrumentos musicais japonesa Suzuki Harmônicas. De ensinamento a ensinamento, Pablo percebeu que aprender fazendo ampliava o conhecimento e nada melhor do que reparti-lo. Impregnado pelo Choro e às voltas com suas dificuldades de execução, surgiu a ideia da criação, em 2006, do curso pioneiro no país de Gaita no Choro. O apoio e o entusiasmo de Reco do Bandolim fizeram a ideia prosperar. Decorridos 14 anos, o Clube do Choro de Brasília registra no curso a marca de mais de 1.200 alunos, para orgulho do Pablo professor. Do começo nas entrequadras brasilienses, a trajetória musical do gaitista ganhou dimensão global, com apresentações pelo Brasil, Estados Unidos, Canadá, França, Bélgica, Holanda, Áustria, Espanha, Austrália, e o inclui num seleto grupo de especialistas tanto nas gaitas diatônica quanto cromática. A oportunidade de tocar com músicos consagrados no cenário internacional – Toots Thielemans, Hermeto Paschoal, Toninho Horta, Nelson Faria, Maurício Einhorn, Hamilton de Holanda, David Grisman, Mike Marshall, Howard Levy – transformou a experiência em um incentivo a mais para a criatividade. Aliás, ingrediente fundamental reconhecido pelo “padrinho” Dominguinhos ao gravar “Feira de Mangaio” no CD solo “Foles”, num dueto antológico sanfona-gaita, marco na discografia do gaitista. As oportunidades continuaram surgindo e uma inusitada e aplaudida parceria com o norte-americano Christylez Bacon (beatbox e hip-hop) tem rendido apresentações regulares, desde 2015, em Washington, DC, e no Brasil. Ao longo dos anos, o ganho de visibilidade também multiplicou-se com a gravação independente de dez CDs, entre solos e coletivos. O mais recente deles, o segundo em parceria com o violonista Marcus Moraes, foi lançado em novembro de 2019. Com participação em diferentes formações musicais, faz parte hoje do Trinca Brasília, ao lado de Félix Jr (violão 7 cordas) e Pedro Almeida (bateria). Ganhador do CCBC Jazz Fest, entre 120 bandas selecionadas Brasil afora, o Trinca Brasília representou o país no Canadá, em 2018, e Brasília na 21a edição do Festival de Jazz & Blues do Ceará, em 2020. Enquanto constrói sua caminhada musical, Pablo desenvolve como produtor (e músico participante) o projeto Som lá em Casa. Ao longo dos últimos quatro anos, realizou 38 edições com renomados artistas brasileiros e de várias nacionalidades. De moçambicanos a austríacos, húngaros a norte-americanos, canadenses, franceses, o conceito estabelecido pelo Som lá em Casa fincou raízes na música de qualidade, sem fronteiras. Sentimentos incontidos em relação à profissão e à realização pessoal, a definição de presente e futuro é tão simples quanto a forma encontrada por Pablo para resumi-la: “Vivemos da música e para a música”. Que assim seja!

PROFESSORES

Bene Chiréia

Atua como músico profissional desde 1992. Foi fundador da banda Mister Jack, primeira banda paranaense a lançar um álbum de blues, criou o Trio Traquitana, dedicado a sambas e choros. Integrou a Orquestra Harmônicas de Curitiba, do qual hoje é Diretor Musical. Criou ao lado de Ronald Silva a Troupe da Gaita. Escreveu um método de ensino de harmônica, sendo pioneiro desse segmento no Brasil. Foi diretor geral do projeto Nostalgia del Tango, do cantor italiano Alberto Petri. É consultor da fábrica de Harmônicas Hering, situada em Blumenau/SC. Atualmente seu trabalho consiste em shows, gravações, ensino musical e produção musical.

Diego Sales

Gaitista, educador musical e compositor formado em Licenciatura em Música pelo Instituto de Artes da UNESP. O harmonicista se dedica ao desenvolvimento da gaita nas linguagens da música instrumental brasileira e do Jazz. Faz uso da técnica do cromatismo, onde utiliza apenas um instrumento afinado em “dó” para explorar as diversas possibilidades e recursos da gaita “diatônica”. Já gravou ao lado de artistas como Guinga, Chico Saraiva e Nailor Proveta. Realizou durante três anos consecutivos (ao lado do grupo “3 no Som”) shows e workshops na Itália, França e Espanha. Entre seus projetos destacam-se o "Diego Sales Quarteto" que lançou oficialmente seu primeiro disco em 2015 e o grupo "3 no Som" que em 2016 gravou e lançou digitalmente seu primeiro trabalho. No mesmo ano foi convidado a participar do projeto "Viva Maurício Einhorn" onde fez parte de um time especial de 27 gaitistas que se reuniram para gravar um álbum duplo em homenagem ao grande Harmonicista brasileiro. Atualmente dedica-se a produção e gravação do seu novo trabalho intitulado “Diego Sales & Coletivo Harmônico”, projeto este dedicado exclusivamente às suas composições autorais.

Flávio Guimarães

Flávio Guimarães é gaitista, cantor e pioneiro do blues no Brasil. Com mais de 30 anos de carreira, lançou 23 CDs, sendo onze álbuns solo e doze como fundador e integrante da maior banda de blues brasileira, a Blues Etílicos. O músico já gravou e tocou com Alceu Valença, Djavan, Cássia Eller, Ed Motta, Erasmo Carlos, Fernanda Abreu, Frejat, Luiz Melodia, Paulo Moura, Renato Russo, Rita Lee, Titãs, Zeca Baleiro e Zélia Duncan, entre outros. Flávio realizou shows de abertura para Ben Harper, B. B. King e Robert Cray, além de compartilhar o palco com algumas lendas vivas do blues, como Buddy Guy, Charlie Musselwhite e Taj Mahal. Apresentou-se em importantes festivais da Europa e Estados Unidos e é o músico de blues com mais shows realizados no Brasil. Criador de um estilo próprio e uma sonoridade única, Guimarães pode fazer sua gaita soar como uma guitarra ou como um trompete. Na gaita diatônica, pelo conjunto de sua obra e por seu pioneirismo, Flávio se tornou a principal referência desse instrumento no país. CRÍTICA "Graduado na matéria blues made in Brasil, Flávio Guimarães puxa o nível para cima e mostra como se faz no seu novo CD. " O Globo. "Virtuose e pioneiro do blues no Brasil, Flávio Guimarães depurou este seu terceiro CD solo em quase dois anos de trabalho. As músicas se sucedem em suaves variações, descortinando-se um horizonte sonoro novo: a quase mescla do blues com a música popular brasileira. O charme desse trabalho está em manter as digitais de cada gênero, sem deixar de fazê-los discutir amigavelmente. Exemplo raro de respeito às diferenças no ambiente da pura navegação sonora. " Revista BRAVO. Luiz Antônio Giron. "A veterana banda carioca de blues roqueiro raramente erra. O instrumental é ótimo e não há gaitista como Flávio Guimarães". Folha de São Paulo. "Considerado com justiça o maior gaitista de boca do Brasil." Jornal da Tarde , José Nêumane (editor). "On The Loose mostra o gaiteiro do Blues Etílicos decifrando a matemática do blues, na qual menos é igual a mais. Desenvolve um fraseado sutil, melódico e com poucas notas exploradas ao máximo. " Folha de São Paulo. "Flávio é top de linha indiscutível no país. Titãs, Kid Abelha, Cássia Eller, Fernanda Abreu, O Pensador e Luiz Melodia atestam…" Revista SHOWBIZZ . "Flávio Guimarães lança um disco solo de blues e jazz de uma competência atroz. Sua voz ganha uma maior cadência blues, ele segura bem na gaita." Jornal do Brasil. "Guimarães faz show entre o blues e o jazz. Em duas apresentações no Centro Cultural, gaitista do Blues Etílicos mostra porque é o melhor do Brasil." Folha de São Paulo.

Gabriel Grossi

Considerado um dos melhores Harmonicistas do mundo, Gabriel tem carreira solo bem estabelecida dentro e fora do país, Foi integrante do Hamilton de Holanda Quinteto, conjunto vencedor do prêmio da Musica Brasileira em 2007 e finalista do Grammy Latino por três vezes consecutivas.

Sempre envolvido em importantes projetos. Gabriel foi parceiro frequente do saudoso e consagrado clarinetista Paulo Moura, com quem atuou de 2003 até seu falecimento. No ano de 2004, também gravou CD e DVD com as cantoras Zélia Duncan e Beth Carvalho, com as quais trabalhou bastante.

Seu disco de estreia, “Diz Que Fui Por Aí”, recebeu elogios pela concepção musical, composições e arranjos. O segundo, “Afinidade” gravado em 2005 foi em duo com o grande violonista Marco Pereira, e o terceiro, “Arapuca” (inspirado no universo do forró) também conquistaram crítica e o público, mostrando que é possível aliar a tradição da música instrumental com o gosto popular, levando o nome de Gabriel para um amplo reconhecimento.

Em 2009, formou seu trio com os instrumentistas Guilherme Ribeiro (piano) e Sergio Machado (bateria). Com essa formação gravou “Horizonte”, álbum preparado durante a turnê que realizou com o lendário trombonista Raul de Souza. Em 2011, lançou o CD “Zibididi” com o premiado guitarrista Diego Figueiredo, álbum composto exclusivamente por temas autorais.

Já em 2012, Gabriel lançou mais dois trabalhos, CD “Villa Lobos Popular”, em duo com o pianista Amilton Godoy (Zimbo Trio) e o CD “Realejo” com o acordeonista Bebe Kramer. Em 2013 gravou “Urbano”, com temas autorais e uma proposta moderna dentro do universo da harmônica e do Jazz Rock.

No início de 2015 foi chamado pelo consagrado jornalista e produtor francês Remy Kopakopul para fazer a direção musical, produção e arranjos do musical “K Rio K ” em Paris. Essa peça fala da relação Rio-Paris dos anos 20. Em julho de 2015 gravou o cd “Roda Gingante” do multiinstrumentista Arismar do Espírito Santo.

Em 2016 lança em parceria com o violonista Felix Júnior o disco “Nascente”, em homenagem à Guinga e Hermeto Pascoal; além de dar continuidade aos projetos “Urbano”, “Realejo” (com Bebê Kramer),“Villa Lobos Popular (com Amilton Godoy) em homenagem a Villa Lobos e “Fole de Boca” (projeto que busca novos caminhos para o forró).

Em 2016 também produziu dois discos em homenagem ao seus mestres da harmônica: Toots Thielemans e Maurício Einhorn. No projeto “We do it out of love ”, Gabriel e seu parceiro Alex Rossi juntaram diversos harmonicistas de vários lugares do mundo para prestar essa homenagem e entregaram o disco pessoalmente ao homenageado Toots Thielemans em seu aniversário de 94 anos.

Já na homenagem “Viva Maurício Einhorn” Grossi se juntou ao seu parceiro Pablo Fagundes e convidaram mais de vinte e seis gaitistas brasileiros para gravar um discoduplo brindando a obra do grande Mauricio Einhorn.

Em 2017, gravou seu quinto disco com Hamilton de Holanda Quinteto, homenageando Milton Nascimento e comemorando os dez anos de existência do grupo. Também gravou na Espanha em Barcelona pelo selo Temps Records um disco em duo com o violonista e antigo parceiro Jurandir Santana chamado “Conexões”.

Em 2018 lança o CD e DVD “ #Em Movimento ao vivo ” uma homenagem de Gabriel Grossi a vários de seus ídolos que o transformaram no músico que é hoje. Para esse projeto ele compôs várias músicas dedicadas a cada um deles e é também uma reverência aos artistas e colegas de sua geração e aos novos instrumentistas e compositores que têm dado ainda mais força para a música instrumental feita no Brasil.

Nesse show/gravação ao vivo, Grossi convida duas de suas principais referências: Hermeto Pascoal e Mauricio Einhorn.

Em 2020 lançará seu décimo segundo álbum chamado: ” Plural “. Nesse novo projeto, Grossi destaca mais seu lado de compositor, letrista e produtor reunindo um elenco de parceiros e grandes nomes do cenário nacional e internacional para interpretar suas canções: Lenine, Jacob Collier, Ed Motta, Seamus Blake, Anat Cohen, Hermeto Pascoal, Omar Sosa, Leila Pinheiro, Zelia Duncan, Yamandu Costa entre outros

Com doze discos em seu nome, inúmeras gravações e shows em todos continentes. Participações e parcerias com grandes nomes da música nacional e internacional tais como: Hermeto Pascoal, Chico Buarque, Milton Nascimento, Jacob Collier, Snarky Puppy, Winton Marsalis, Djavan, Ivan Lins, Ed Motta, João Donato, Guinga, Lenine , Dominguinhos, Dave Mathews entre vários outros, Gabriel se consolida como um dos maiores nomes da harmonica no mundo e um dos instrumentistas e compositores mais talentosos da música instrumental Brasileira, tendo amplo reconhecimento e reverência do grande público e dos que mais conhecem do assunto.

Jefferson Gonçalves

Fundou em 1992 a banda Baseado em Blues, com a qual lançou os CDs “Baseado em Blues” (1996), “Madrugada Blues” (1999) e “Um acústico Baseado em Blues” (2000). Em 1998, representou o Brasil na convenção internacional da SPAH (Society for the Preservation and Advancement of the Harmonica), em Detroit, EUA, onde se apresentou ao lado do violonista e vocalista alemão Chris Jones no concerto oficial em comemoração aos 35 anos da entidade. De volta ao Brasil, em parceria com o guitarrista Big Joe Manfra, for- mou o trio acústico: Blues ETC., lançando CD “Blues ETC. em 2001 que foi apontado pela crítica como o Melhor Disco de Blues do ano e indicado para o Prêmio Caras de Música na categoria “Melhor CD de Língua Estrangeira”. Também atuou em shows e gravações com artistas, como Belchior, Victor Biglione, Celso Blues Boy, Peter Madcat Ruth e Vanessa Barum, Detonautas e Lulu Santos, entre outros. Paralelamente, aprimorou seu trabalho de arte-educação, que já vinha desenvolvendo no Rio de Janeiro desde 1996. Em 2002, gravou pela empresa “Aprenda Música” os vídeos Iniciação a Gaita Blues volumes I, II & III, com aulas sobre técnicas de harmônica e estabeleceu-se como referên- cia no ensino do instrumento no Brasil. A experiência o levou a tocar para públicos diversos, além de multiplic- ar sua área de atuação, ampliando seus horizontes musicais e educacion- ais. Em 2002 e 2003, fez turnês na Argentina, se apresentando em algu- mas das melhores casas de Buenos Aires, como o Teatro San Martin. Também em 2003 ministrou o primeiro curso de gaita em Nova Olinda, cidade do Cariri cearense. Nessa iniciativa, em parceria com a ONG Funda- ção Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, utilizou as bases con- ceituais de sua mesclagem musical. Deixou gravada, inclusive, como ferramenta de estudo, uma vídeo-aula produzida pelos alunos da instituição. Os resultados ainda se mostram extremamente positivos. De volta a Nova Olinda em 2005, pôde constatar avanços da garotada da ONG, favorecida pelas ricas possibilidades oferecidas pela gaita – um instrumento versátil, aplicável a diferentes ritmos, de inquestionável portabi- lidade e, sobretudo, de custo baixo – conjugada a gêneros do Nordeste brasileiro. Não só isso: criou na cidade uma banda de apoio, com a qual tem se apresentado em shows na Região do Cariri. Foi apontado como revelação da nova geração de instrumentistas pe- las publicações norte-americanas “American Harmonica Newsletter” (outu- bro/1996) e “Big City Blues Magazine” (janeiro/2000), e como um dos cinco melhores gaitistas do mundo pelo jornal argentino “Clarin”, além de ter sido eleito pelo site Mundo Ármonica como o Melhor Gaitista Internacional do mês de outubro de 2003. Em 2004, lançou seu primeiro CD solo, “Gréia”, com a participação de Airto Moreira, Peter Madcat Ruth, Jamie Wood, Johnny Rover, Norton Buffalo, Zé da Flauta, Tavares da Gaita e Carlos Malta, entre outros instru- mentistas. No mesmo ano produziu o primeiro CD do artista pernambucano Tavares da Gaita intitulado “Sanfona de Boca”. Ainda em 2004 iniciou parceria com o Sesc e Sebrae do Ceará e a produtora Via de Comunicação, viabilizando oficinas de harmônica e formação de bandas nas cidades de Sobral, Juazeiro do Norte, Crato, Iguatu, Fortaleza, Guaiuba, Maranguape, Guaramiranga, Pacatuba, Cau- caia e São Gonçalo do Amarante, entre outras. No processo, selecionou músicos não profissionais e formou uma ban- da em cada cidade, repassando noções de música e ajudando a montar o repertório de cada formação, incluindo a definição dos arranjos. Com os novos músicos, as bandas se apresentaram no festival de Jazz & Blues, em Guaramiranga (CE). Hoje, muitos dos componentes estão profissionaliza- dos e vivendo de música. Em 2005, “Gréia” foi indicado ao Prêmio Claro de Música na categoria “Melhor CD de música Instrumental”. No mesmo ano, Jefferson excursionou com o guitarrista Big Gilson e o cantor inglês The Wolf para sua segunda tour pelos Estados Unidos, se apresentando nas melhores casas de Blues e Jazz do país, entre elas o Blue Note (Nova York), Deep Ellum Blues (Te- xas), Bamboo Room (Flórida). Em seguida, formou o time pioneiro do Fórum Harmônicas Brasil, em Fortaleza, evento que completou 10 edições em 2014. Em 2006, o músico lançou o segundo CD “Conexão Nordeste – Gréia ao Vivo”, gravado no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, durante o projeto “É Tempo de Blues”. Em março e abril de 2007, realizou sua primeira tour pela Europa ao lado do guitarrista Big Gilson tocando nas cidades de Frankfurt (Alemanha), Madrid e Toledo (Espanha). Em março de 2008 lançou seu terceiro CD solo: “Ar Puro” (Blues Time Records) e em junho se apresentou com o guitarrista Kleber Dias no Senegal Folk Festival, realizado em Dakar. O convite partiu da Embaixada do Brasil no Senegal e do grupo musical senegalês Les Frères Guissé. O sucesso foi tão grande que a dupla voltou em 2009 e 2010 para o Senegal com o projeto Raízes, dessa vez acompanhado da bailarina Juliana Lon- guinho. Além dos shows no parque de Hann e na praia de Hann, Jefferson ministrou uma oficina de gaita para crianças carentes em Dakar. Desde 2010, em parceria com o gaitista José Staneck, passou a min- istrar aulas de gaita para crianças em comunidades do Rio de Janeiro, integradas ao projeto “Segundo Turno Cultural” e em alguns centros cul- turais, entre eles: Laurinda Santos Lobo e Centro municipal de referencia da música carioca Artur da Távola. A metodologia usada é baseada em cantigas populares e visa à iniciação musical por intermédio da gaita. Em 2011, lançou seu quarto CD – “Encruzilhada” (Bluestime Records). O novo trabalho, gravado entre o Rio de Janeiro, São Luís (MA), Vitória (ES), Nova Olinda (CE) e no Senegal, aprofunda de modo definitivo uma opção criativa que Jefferson adotara em discos anteriores e em turnês pelo Brasil e por vários países, a de promover fusões, diálogos e intercessões entre gêneros que aparentemente são distintos mas que têm similaridades inescapáveis a ouvintes atentos. Em 2013, lançou “Encruzilhada ao vivo” – um box comemorativo aos 23 anos de carreira, com CD e DVD, que terminou 2013 também aplaudido pela crítica, merecendo o Prêmio Dinamite de Música Independente na categoria Regional. Em 2014, tornou a estreitar os laços culturais entre o Brasil e o Sene- gal, gravando com o cantor Hampaté o CD Dakar-Rio. Em 2015 lançou “Jefferson Gonçalves – 25 anos de Carreira” – nos formatos CD e LP, vale ressaltar que esse projeto foi totalmente financiado pelos fans do músico atraves da plataforma de contribuição coletiva (Crownfunding) do site Benfeitoria. No campo da produção musical, Jefferson Gonçalves foi o produtor de todos os seus CDs solos e atuou como diretor artístico do CD Belchior Blues, lançado em 2012, sob a coordenação dos jornalistas e produtores Roberto Maciel e Luiz Carlos de Carvalho, além de exercer a direção de palco dos festivais de Jazz e Blues de Rio das Ostras e Fest Bossa e Jazz. O gaitista ainda imprimiu timbre e estilo próprios em trilhas sonoras de novelas. Na Rede Globo, participou das produções Paraíso (2009), Cama de Gato (2009), Império (2014) e Sete Vidas (2015), sua gaita faz parte de vários jingles publicitários, o mais recente é a campanha de lançamento global do aparelho Galaxy Note 8 da Samsung. Ainda nas artes cênicas, Jefferson colaborou com teatro, cinema e dança. No teatro, assinou a trilha da peça “Como Nasce um Cabra da Peste”, em 2013, dirigida por Júlio Wenceslau. No cinema, trabalhou no curta-metragem “Ópio”, de Allan Souza Lima. Na dança, foi o responsável pela trilha de “Em Água Viva”, apresentado em 2010 pela coreógrafa e bailarina Juliana Longuinho no Senegal. Com toda esta experiência adquirida em centenas de shows, grava- ções e workshops, Jefferson Gonçalves tem sido uma referência em harmônica no Brasil e no mundo, por isso, em 2017 foi convidado pela empresa alemã Seydel Harmonicas, para ser o primeiro endorse brasileiro a fazer parte do time Seydel Harmônicas. Jefferson Gonçalves é uma referência mundial na promoção da arte e de uma visita à tradição, transformando-a, em seus discos e shows, numa expressão de fôlego, sem trocadilhos. Enfim, um músico completo que encanta platéias por onde passa.

José Staneck

Músico, concertista, Mestre em música, produtor e editorador, José Staneck faz de sua harmônica um instrumento de transformação. Chamado de David Oïstrakh da harmônica pelo crítico francês Olivier Bellamy e comparado aos músicos Andrés Segovia e Mstislav Rostropovich por sua atuação na divulgação do instrumento pelo crítico Luiz Paulo Horta, desenvolve um estilo próprio onde elementos tanto da música de concerto quanto da música brasileira e do jazz se fundem numa sonoridade marcante. Estudou harmonia com Isidoro Kutno, análise com H. J. Koeullreutter e interpretação com Nailson Simões. Em 2007, obteve o título de Mestre pela UNIRIO. Como diretor durante 15 anos da Musiarte, desenvolveu importante trabalho na área do ensino, e atualmente viabiliza um trabalho social de inclusão cultural, atendendo a comunidades carentes e projetos sociais, levando o ensino de música através da gaita para crianças em diversas locais do Brasil. Atua com diferentes formações camerísticas, e já foi solista de diversas orquestras sinfônicas brasileiras e internacionais, entre elas a OSESP e a Sinfônica Brasileira.

Júlio Rêgo

Júlio Rêgo nasceu em Aracaju e começou a tocar gaita em meados da década de 90, sob a orientação de Flávio Guimarães (RJ). Morou por alguns anos na Inglaterra e Holanda, por lá tocou em vários pubs, ruas e casas de shows. De volta ao Brasil participou de shows e cds de diversos artistas, tocando Rock, Pop, Blues, Reggae, Forró, MPB, entre outros estilos, além de jingles e trilhas para filme e teatro. Teve aulas ainda com Rodrigo Eberienos (RJ) e Otávio Castro (RJ). Com este último, começou a estudar a técnica do “cromatismo” na gaita diatônica. Em 2005, foi uma das atrações do 4° Encontro Internacional de Harmônicas no SESC Pompeia/SP e, em 2006, do 2o Fórum de Harmônicas Brasil na cidade de Fortaleza-CE realizando shows e wokshops. Com a banda Maria Scombona lançou o álbum ̈Grão ̈. Com o Terceto Instrumental Café Pequeno lançou os álbuns ̈Na cozinha de Badyally ̈ e ̈Voz de dentro ̈ . Com o Duo Júlio Rêgo e Ricardo Vieira lançou o álbum ̈Chegada ̈. Com grupo Membrana lançou o álbum ̈Um dia ̈. Com o grupo belgo/brasileiro Anavantou lançou o álbum ̈Brincantes.

Natanael Pereira

Músico, harmonicista, autodidata e graduado em Música pela Universidade Estadual do Ceará. Nasceu no ano de 1995 em Fortaleza-CE, foi apresentado ao seu instrumento aos doze anos de idade. As suas maiores influências vêm da genialidade da música cristã e da música brasileira. Participou por dois anos das “Residências Artísticas” realizadas através do Festival Jazz e Blues de Guaramiranga e também de oficinas no Festival Música na Ibiapaba. Já participou e tocou em importantes palcos e festivais, sendo eles, Fórum Harmônicas Brasil, Chorinho no Engenho, Maloca Dragão, Mostra Petrucio Maia, Ceará Instrumental, Mostra Pôr do Som, Teatro Cine São Luiz, Centro Cultural Banco do Nordeste, Projeto Panorama Musical, entre outros. Em 2015 teve sua primeira experiência com Orquestra, participou como solista junto com a OSUECE (Orquestra Sinfonica da UECE) na posse do Governador do Ceará, Camilo Santana. Em 2016 recebe o convite para integrar um conjunto de 27 gaitistas em um disco em homenagem ao harmonicista brasileiro Mauricio Einhorn, protagonista da Bossa Nova, da Música Popular Brasileira e referência no cenário mundial da harmônica. Em 2018 participou juntamente com a violonista Rebeca Câmara e do percussionista Igor Ribeiro, do Festival Jazz e Blues de Guaramiranga. No mesmo ano lança em todas as plataformas digitais o seu primeiro trabalho solo, intitulado “Musicalmente Falando”. Já dividiu palco com os músicos Tito Freitas, Ednar Pinho, Ricardo Marinho, Neo dos Santos, Hermano Faltz, Marcio Resende, Cainã Cavalcante, Thiago Almeida, Miqueias dos Santos, Brenna Freire, Rebeca Câmara, Rodrigo BZ, Ajurinã Swarg, Heriberto Porto, Pedro Ito, Felipe Poli, Luizinho Duarte, Cesar Machado, Junior Quintela, Neto Ferreira, entre outros. Durante os festivais estudou com: Eduardo Taufic (RN), Heriberto Porto (CE), Marcos Maia (CE), Miquéias dos Santos (CE), Adriano Giffoni (RJ), Eduardo Visconti (SP), Henri Greindl (BE), Widor Santiago (RJ) e Luizinho Duarte (CE).

Otavio Castro

A história musical de Otavio Castro se confunde com o desenvolvimento de técnicas inovadoras nas harmônicas, principalmente na harmônica diatônica (popularmente conhecida como a gaita de blues), tendo cunhado o termo "cromatismo na harmônica diatônica", técnica esta que permite a execução de todas as músicas utilizando tão somente uma harmônica afinada em dó (C) para todas as tonalidades. ​ Nascido em berço musical, filho do compositor Everardo Castro (fundador do Clube de Jazz e Bossa nos anos 60), foi discípulo de Rodrigo Eberienos e Mauricio Einhorn, sofrendo influência decisiva de Howard Levy nos idos de 1996. Em 2000, quando do retorno de turnê realizada em Nova Iorque, decidiu radicalizar a técnica na harmônica diatônica, passando a se dedicar à sistematização do cromatismo. ​ Ao longo de sua trajetória trabalhou diretamente com ícones da bossa nova, do samba jazz e da música brasileira mais tradicional como o choro, a música mineira e a música maranhense, tendo desenvolvido uma leitura singular sobre o posicionamento das harmônicas nos mais diversos contextos musicais. ​ Como professor, teve a oportunidade de contribuir para a formação de uma nova geração de gaitistas, dentro e fora do Brasil. Em 2009 foi convidado a participar da Convenção Anual da SPAH (Society for the Preservation and Advancement of the Harmonica) realizada em Sacramento/CA (EUA). Com uma série de composições, se dedica intensamente à expansão dos horizontes das harmônicas diatônica e baixo, utilizando a harmônica cromática para compor arranjos inusitados e criativos.

Paulo Prot

Dedicação e pesquisa definem muito bem a trajetória do gaitista Paulo Prot. Atuante no mercado musical desde o ano 2002, seus sons começam no blues e hoje alcançam diversos ritmos como o jazz, o choro e músicas étnicas. O capixaba se destaca na cena por executar um repertório que vai do choro ao jazz, usando apenas uma harmônica diatônica afinada em Dó. Através da técnica do cromatismo onde os sustenidos e bemóis podem existir a partir de alterações no sopro. Prot estudou com os gaitistas Otavio Castro (RJ) e Cézar Távora (RJ), além de estudar improvização com Sérgio Benevenuto (ES) e harmonia com Célio Paula (RJ). Atualmente graduando na Universidade Estadual de Minas Gerais, Licenciatura com habilitação em Educação Musical Escolar. Seu trabalho está voltado para a música instrumental em diversos formatos, os quais já pode apresentar em diversos palcos, casas de shows, teatros, festivais e gravações. Gaitista em Festival de Cinema de Vitória, tenda do Viradão Cultural – Prot Quarteto – Agosto de 2019 Em Vitória – ES A convite de IBCA e Galpão Produções Aluno em Curso de Música Instrumental Brasileira, 2019 (mar-dez, 2 semestres) Ministrado por Marcelo Chiaretti (MG) na Fundação de Educação Artística (Fea-BH) Professor e produtor em canal Palhetas Livres (youtube) 2018, 2019, canal coproduzido com o músico gaitista Diego Sales (SP) https://www.youtube.com/c/PalhetasLivres Professor de Harmônica em Sesc Glória- 2018 – Cursos livre de músicalização com foco na gaita diatônica, duração 1 ano (duas turmas) – Aulas em Vitória – ES, Sesc Glória Gaitista em Festival Caparaó Jazz e Blues – Trio Ventaca – 2017 e 2018 Em Patrimônio da Penha (distrito) – ES A convite de Pruuu Produtora. Cidade Divino de São Lourenço Gaitista em Pedra Blues e Jazz Festival – Quinteto Lemurianos – 2017 Em Pedra Azul (distrito) – ES Cidade Domingos Martins Palestrante em Dia do Curioso Musical 2016 Em Sesc Glória, Vitória – ES A convite do Sesc ES Gaitista no projeto Viva Maurício Einhorn – 2016 – Gravação da faixa “Lamentoots” no disco em homenagem ao gaitista Maurício Einhorn Produção de Gabriel Grossi e Pablo Fagundes Em Rio de Janeiro, RJ Músicos participantes na faixa: Edu Szajnbrum (RJ), Wanderson Lopez (MG) e Jeremy Naud (França) Produção em Frita Jazz – Festival Frita Jazz, 2016 a 2018 Festival mensal de música instrumental, Vitória, ES, Brasil Apresentações como gaitista com os grupos: Prot Quarteto, Quinteto Lemurianos, Trio Ventaca e Evandro Gracelli Sexteto Produção em Deriva Sessions – WebSérie Deriva, 2016 Websérie sobre música instrumental no Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil Coproduzido com Geraldo Pereira e Ciano Filmes https://www.youtube.com/c/DerivaSessions Gaitista em circulação cultural Secult/ES – Mondo Treo, trio de música do mundo – 2015 Em Burarama, Viana, Marataízes, Vitória, Anchieta – ES Edital de Cultura Gaitista em Festival Infinitas – Mondo Treo, trio de música do mundo – 2015 Em Vitória – ES A convite da produtora Lab.Muy Gaitista em Festival Glória ao Jazz – Mondo Treo, trio de música do mundo – 2015 Em Sesc Glória, Vitória – ES A convite do Sesc ES Gaitista em Manguinho Jazz e Blues Festival – Gean Pierre Trio – 2013 Em Serra – ES A convite da produtora Júlia Sodré Gaitista em Manguinho Jazz e Blues Festival – Orquestra Pop e Jazz – 2013 Em Serra – ES A convite da produtora

Maurício Einhorn

Filho de imigrantes judeus poloneses, os pais eram gaitistas. Começou a tocar gaita de boca aos cinco anos de idade, desde então se apresentando no colégio franco-brasileiro onde estudava até os 13 anos de idade.

A constância do músico com referência ao instrumento foi tanta que, já aos 10 anos, Einhorn começou a participar dos renomados programas radiofônicos de calouros da época, tais como “A Hora do Pato” e “Papel Carbono”[2] (na Rádio Nacional); e mesmo o programa de Ary Barroso e das Gaitas Hering na Rádio Tupi[3], ao lado de Fred Williams e outros.

Ainda adolescente tocou em duos, trios e quartetos sendo que no início da década de 1950 introduziu-se nas linguagens dos estilos jazz e choro[4]. Sua primeira gravação foi em 1949 quando, na música “Portate Bien” solou com um conjunto de gaitas Brazilian Rascals. Apresentou-se com Waldir Azevedo e seu Regional na Rádio Clube do Brasil. Por volta de 1955 no Hotel América, já extinto, em frente ao Clube Hebraica conheceu Durval Ferreira durante um baile em que Maurício Einhorn tocava. A primeira música dos dois, “Sambop”, foi gravada em 1959 por Claudete Soares no LP “Nova Geração em Rítmo de Samba”, em que fez participação. Depois vieram: “Estamos aí” (com Durval Ferreira e Regina Werneck) gravada por Leny Andrade; “Tristeza de Nós Dois” ( com Durval Ferreira e Bebeto); “Batida Diferente”, “Nuvem” e “Clichê” (todas com Durval Ferreira), “SamBlues” (com Durval Ferreira e Regina Werneck) e muitas outras[2]. Teve destaque na bossa nova[2], movimento cuja influência mudou os rumos da MPB.

Entre os anos de 1964 a 1966, participou em diversas gravações épicas e histórias do movimento da bossa nova, destacando os discos de “Luiz Carlos Vinhas – Novas Estruturas” e os dois Lps “Os Gatos” e “Aquele Som dos Gatos”. Participou também no lançamento do primeiro disco da cantora Tânia Maria – Apresentamos, selo Continental, em 1966, das três faixas que gravou duas músicas de sua autoria em parceria com violonista Arnaldo Costa, “Ficou na Saudade” e “Paz de Espirito” (letra de Lula Freire). Ainda em 1966, gravou seu primeiro disco em parceria com o violonista Baden Powell sob o título de “Tempo Feliz”, para o selo Forma do produtores musicais Roberto Quartin. e Wadi Gebara Tocou com Vitor Assis Brasil, em 1975, e atuou em várias gravações de Pery Ribeiro, Chico Buarque, Claudete Soares, Gilberto Gil e muitos outros. Participou nas trilhas sonoras de diversos filmes.

Ainda na década de 1960, no ano de 1968, participou do Festival Internacional da Canção (da Rede Globo de Televisão), como também no festival da Rede Record de Televisão e participou do movimento Musicanossa, gravando as faixas de sua autoria “Alvorada” (em parceria com Arnaldo Costa e o letrista Lula Freire) e “Sistema” (com Arnaldo Costa e letra de Marcos Versiani) no disco “Isto é Musicanossa”. Em 1972, a convite do músico brasileiro Sérgio Mendes, residente nos Estados Unidos, Einhorn foi para esse país e chegou a tocar com famosos expoentes do jazz como o guitarrista Jim Hall,o contrabaixista Ron Carter e o gaitista belga Toots Thielemans[4]. Com seus amigos, os pianistas brasileiros Eumir Deodato e João Donato participou da gravação do disco “Donato/Deodato”. Em dezembro de 1972, retornou ao Brasil. Em 1973, gravou um compacto cujo tema foi o filme “O Último Tango em Paris” (na gravadora Tapecar). Também lançou o LP de trilhas sonoras “The Oscar Winners”[2]. Em 1975 gravou para o selo Phillips um LP que deveria ter sido o primeiro a aparecer com o seu nome mas que, por razões comerciais, foi batizado com o nome “A Era de Ouro do Cinema”. Em 1976 fez parceria com o violonista Sebastião Tapajós[4]. Em 1979, saiu o primeiro LP solo em seu nome – “ME – Maurício Einhorn”, pela etiqueta Clam[2], destacando os clássicos que marcaram seu início de carreira as faixas “Estamos Aí” (marca registrada na voz de Leny Andrade), “Batida diferente” (sucesso do Tamba Trio), “Tristeza de Nós Dois” (presente no fabuloso disco de Luiz Eça & Cordas) e “Alvorada”. Lançou outros discos em 1984 e 1985 pela Interdisc na Argentina. Em 1993 apresentou-se no SESC Pompéia em São Paulo de onde foram gravados as faixas para o seu quarto disco, pela etiqueta Tom Brasil. Em 1996 gravou o CD “Os Solistas” ao vivo com Sebastião Tapajós, Gilson Peranzzetta e Paulinho Nogueira depois, relançado pela Moviedisc. Em 1996 gravou novamente com Sebastião Tapajós, Gilson Peranzetta e Altamiro Carrilho o CD independente “Nas Águas do Brasil (O Encontro de Solistas)”.

Mostrou talento, técnica e criatividade na arte do uso da gaita em várias fases da história musical no Brasil, quais sejam, da MPB, os anos áureos do rádio, bossa nova, os grandes festivais, aos dias de hoje. Com mais de 62 anos de carreira, ainda leciona atualmente. Costuma passar mais prática do que teoria em suas aulas. O músico é amigo do belga Toots Thielemans, tido como o melhor gaitista do mundo[1]. A opinião de ambos é de que, para aprender-se a tocar o instrumento, mesmo que não em nível profissional, é necessário dedicar-se pelo menos uma hora por dia, “inclusive sábado, domingo e feriado”.

No decorrer de sua carreira, o músico gravou com grandes astros da MPB, tais como Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Hermeto Pascoal, Chico Buarque, entre outros.

Consta do seu repertório a composição de mais de 400 músicas, das quais 40 foram gravadas. E ainda continua na ativa. Da sua lista de alunos constam: Gabriel Grossi, brasiliense, e hoje integrante do grupo cujo líder é Hamilton de Holanda; Hélio Rocha, professor de gaita da Escola de Música de Brasília; Leonardo Medeiros, gaitista desde 1999 entre outros.

O músico já marcou presença em Brasília por diversas vezes, inclusive, no início da década de 1980, na Granja do Torto, residência oficial de Presidentes da República brasileiros, onde tocou em duo com o então presidente Figueiredo, que era “gaitista amador”. Ele presenteou o então presidente com uma gaita, que, por sua vez, havia recebido de presente do famoso gaitista Toots Thielemans. A última apresentação na capital foi no Clube do Choro, por sugestão de Gabriel Grossi, no contexto de um projeto em homenagem a Waldir Azevedo. Além disso, a Escola de Música de Brasília também já desfrutou do conhecimento do mestre.

Rildo Hora

Rildo Alexandre Barreto da Hora, nasceu em Caruaru no dia 20 de abril de 1939. É um gaitista, violonista, cantor, compositor, arranjador, maestro e produtor musical brasileiro

Seu pai, Misael Sérgio Pereira da Hora, alagoano, foi dentista, e a mãe, Cenira Barreto Hora, pernambucana, foi sua primeira professora de teoria musical e piano.

Em 1945 mudou-se com a família para a cidade do Rio de Janeiro, indo morar no subúrbio carioca de Madureira. Aos seis anos de idade, interessou-se por harmônica de boca. Tornou-se autodidata passando a estudar o instrumento, mesmo sem mestre. Desenvolveu a sua técnica tocando frevos e choros que ouvia no rádio. Estudou harmonia, contraponto e composição na Escola de Música Pró-Arte com o maestro Guerra Peixe, que escreveu especialmente para ele “Suite quatro coisas”. Teve aulas de violão com Meira e com Oswaldo Soares e freqüentou outros cursos no Centro de Estudos Musicais.

Ainda criança, frequentava o botequim do Seu João Valentim e o bar do Nozinho, próximos a sua casa, em Madureira, apreciando o samba dos mestres Candeia, Waldir 59, Chico Santana, Alvaiade e Manacéa, entre outros da Portela.

Aos 11 anos, tocava em festas populares pelos subúrbios do Rio de Janeiro. Apresentou-se na Rádio Mayrink Veiga, no Programa Trem da Alegria, comandado pelo “Trio de Osso” (Lamartine Babo, Heber de Boscoli e Iara Sales). Nesta época, conheceu o violonista Mão de Vaca (Manoel da Conceição) e apresentou-se no programa “A Hora do Pato”, na Rádio Nacional, passando a freqüentar a emissora.

Aos doze anos venceu o Concurso das Gaitas Hering, na Rádio Mauá do Rio de Janeiro, patrocinado pela fábrica de Gaitas Hering. Foi convidado por Fred Williams a fazer parte do grupo de gaitistas do programa. Tocou cavaquinho em shows circenses acompanhando cantores, e como solista de gaita de boca. Tomou parte também do programa ‘Festival de Gaitas’ na Rádio Nacional. Em 1958, junto com Sérgio Leite e Luis Guimarães formou o trio ‘Malabaristas da Gaita’. No ano seguinte fez sua primeira composição com Gracindo Jr. “Brigamos com o amor”, gravada por Carminha Mascarenhas. Na época da Bossa Nova, passou a tocar violão e a cantar.

Em 1960, pelo selo Pawal, gravou um disco de 78 rpm com duas músicas: “Anjo” (c/ Alcino Diniz) e “Nem uma luz brilhou”, de Gilvan Chaves.

Em 1961, quando trabalhava na Boate Carioca ‘Cangaceiro’, compôs com Clóvis Melo “Canção que nasceu do amor” lançada por Cauby Peixoto, regravada mais tarde por Elizete Cardoso. No ano seguinte Alaide Costa gravou, dele e Gracindo Junior, “Como eu gosto de você”, com arranjo de César Camargo Mariano. Acompanhou Elizete Cardoso como violonista em shows por todo o Brasil de 1965 a 1967.

A partir do ano de 1968 passou a trabalhar como produtor musical, a convite de Geraldo Santos, trabalhando na gravador RCA. Sua primeira produção foi o LP ‘Música Nossa’, seguida dos discos de Antonio Carlos e Jocafi, João Bosco, Martinho da Vila e Maria Creuza. A partir daí foi estudar harmonia, contra ponto e composição com o maestro Guerra Peixe.

No ano seguinte, em 1969, são gravadas, de sua autoria, “Luciana e o mar” por Cyro Monteiro; “Nosso amanhã” (c/ Humberto Reis) por Sérgio Carvalho e “A estrela e o astronauta” (c/ Mário Castro Neves) por Clara Nunes, anteriormente cantada no Festival da Canção de Juiz de Fora por Ivany de Moraes.

No ano de 1971, produziu o disco “Memórias de um sargento de milícias”, de Martinho da Vila e um LP carnavalesco com vários artistas, no qual Mário Alves interpretou a sua canção “A vida não me leva”. Ainda em 1971 lançou o LP “A vez e a hora de Rildo Hora”, pela RCA Victor, no qual incluiu “A canoa” (c/ Sérgio Bittencourt), “Panorama segundo Rodrigo” (c/ Antônio Carlos), “O saci-pererê” (c/ Humberto Reis) e “O contador de estórias”, em parceria com Gracindo Júnior, entre outras.

Em 1973, participou como gaitista, da gravação do LP “Pérola Negra”, de Luiz Melodia, na música “Estácio Holly Estácio”. No mesmo ano, foi produtor do LP “João Bosco”, disco de estréia do cantor e compositor mineiro.

Produziu no ano de 1978 o disco “Tendinha” de Martinho da Vila, no qual se destacou o sucesso “Amor não é brinquedo” (Martinho da Vila e Candeia). No ano posterior, Ataulfo Alves Júnior, com produção sua, gravou “Velha-Guarda da Portela” e “Os Meninos da Mangueira”, ambas compostas com Sérgio Cabral.

Em 1987 executou na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, o “Concerto para Harmônica e Orquestra”, de Villa-Lobos, sob a regência do maestro Davi Machado. Em 1988, interpretou a “Suíte quatro coisas” de Guerra Peixe, escrita e orquestrada especialmente para ele. Desde então, trabalhou com vários artistas brasileiros tais como: Martinho da Vila, Mariza Rossi, Luiz Gonzaga, Jair Rodrigues, Carlos Galhardo, Vicente Celestino,Clara Nunes, Maria Creuza, Chiquinho do Acordeom, entre outros.

Em 1992, lançou o CD “Espraiado”, pela gravadora Caju Music, no qual interpretou “Cabriola”, “Pipoca no fogo”, “Chorinho nervoso pro Hermeto Pascoal”, “Cóe, cóe”, todas de sua autoria, e ainda “A implosão da mentira ou o episódio do Riocentro”, “Canção que nasceu do amor”, além da faixa-título, “Espraiado”. O disco contou ainda com uma composição de seu filho Misael, “Baião de flor”. Distribuído nos Estados Unidos pela etiqueta Milestone, foi incluído pela crítica americana entre os 10 melhores discos de jazz latino.

Em 1998, a gravadora Visom, pela série “Virtuoso”, compilou dois CDs de sua autoria: “Rildo Hora e Cia de Cordas” e “Rildo Hora e Romero Lubambo”. Fez a produção do primeiro disco solo de Walter Alfaiate pela gravadora Alma.

Lançou no ano de 2000 o “Casa de samba volume 4”, com a Velha Guarda da Portela e Alcione, Dudu Nobre e João Bosco, Noite Ilustrada e Cássia Eller, entre outras duplas inusitadas.

Em 2001 fez a produção do disco “Chorinho” para a gravadora alemã Teldec. Neste disco, participaram Altamiro Carrilho, Carlos Malta, Sivuca, Henrique Cazes, Época de Ouro, Pedro Amorim, Joel Nascimento, Maria Teresa Madeira e Ademilde Fonseca.

Rodrigo Eberienos

Rodrigo Eberienos (Rio de Janeiro, maio de 1979) é um gaitista brasileiro. Começou seu estudo de gaita diatônica em 1994, estudando 3 meses com o gaitista Flávio Guimarães. Logo após, entra para a Escola de música Arte Música, onde ficou por mais 9 meses com Nilo Guzman.

Em 1996, passou 6 meses nos Estados Unidos onde dedicou-se inteiramente a gaita, passando um tempo em Chicago e participando das famosas e folclóricas “jams” .

Em 1997 retornou ao Rio quando começou a dar aulas particulares, bem como em escolas de música. Crescendo e estudando cada vez mais, começou a ser reconhecido no cenário nacional. No final de 1997 montou a banda Bludogues, que atualmente está em fase final de gravação do primeiro CD independente do grupo.

Em agosto de 1998, representou o Brasil SPAH ( Sociedade de Preservação e Avanço da Harmónica ), que ocorre todo ano nos Estados Unidos. Começou então, a construir sua carreira no mundo musical.

Em 1999, iniciou o estudo de gaita cromática e harmonia funcional com José Staneck. Ainda em 1999 começou a fazer participações em trilhas sonoras para televisão, rádio e em álbuns de músicos tais como : Sandy e JuniorVanessa BarumZezé de Camargo e LucianoEduardo NunesJakaréBanda Súbito, Flávio Guimarães (Navegaita), AlyssaRafael Greyck (Luau II), lançado pela Warner Bros. , entre outros. Nesse mesmo ano, descobriu música Irlandesa e começou a se dedicar ao estudo de tal estilo.

Em 2000, com seus 21 anos, participou do Tributo a Gaita Blues, em Campinas, evento reunindo os 10 melhores gaitistas do país. Participou também do II Harmonica e Blues Project, em São Paulo.

Em janeiro de 2001, formou um trio, chamado Forró de Gaita, grupo que se apresenta nas maiores casas de forró do Rio de Janeiro. Atualmente o grupo também está em fase final de gravação do CD. Em agosto de 2001, voltou a representar o Brasil no SPAH, onde teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o gaitista de música Irlandesa Brendan Power, sendo convidado por ele a fazer uma participação em seu show durante o Congresso. Ainda setembro, participou do 1º Encontro Internacional da Harmônica no Sesc Pompéia em São Paulo.

Em 2003 começa a gravar no cenário Gospel. Sendo convidado pelo produtor musical Jairinho Manhães, grava em álbuns de cantores evangélicos, como Cassiane, Marquinhos de Menezes, Bruna Karla , Jozyanne e outros.

Rodrigo, em 2005, com reconhecimento internacional, lança seu álbum, Acusticamente.

Rodrigo Eisinger

Natural de Santo André, iniciou seus estudos na gaita em 1999. Quando residia na cidade de São Carlos atuou como músico na Orquestra Experimental da UFSCar, na qual tocou até 2002. Em 2003 ingressou no Bacharelado em Música Popular da Unicamp, dando assim inicio a sua atuação como profissional de música. No curso de música se especializou na gaita cromática, sendo único no Brasil graduado em música com nesta modalidade. Em 2005 recebeu convite da Fédération Internationale de l ́Harmonica (FIH) para participar do World Harmonica Festival na cidade de Trossingen. Neste festival tocou nas competições Open Category e Harmonica Jazz, obtendo o 9° lugar e 4° lugar respectivamente. Esteve presente em diversos festivais de música como o VI Festival de Harmonica do SESC Pompéia com o 3emTrio (grupo depesquisa em música instrumental brasileira), VII Festival de Harmonica do SESC o show do gaitista maestro e arranjador Rildo Hora e também No Festival Barra Jazz no Piaui onde tocou junto com os músicos Carlos Malta e Toninho Horta. Foi convidado do Festival Caju Bossa tendo a honra de fazer a abertura do Show de Danilo Caymmi. Por sua atuação em música e pesquisa do repertório brasileiro, esteve presente como jurado do Festival Folclórico de Parintins de 2018. Como músico acompanhante, Rodrigo desenvolve um consistente trabalho, sendo sempre requisitado para acompanhar músicos e cantores, principalmente no segmento do samba onde já teve a oportunidade de acompanhar grandes baluartes do samba como Nelson Sargento, Tantinho da Mangueira, Renato Milagres, Wanderlei Monteiro entre outros. Foi convidado para participar do disco em homenagem ao grande mestre da gaita cromática Mauricio Einhorn junto com gaitistas de diversos estados do Brasil.

Vitor Lopes

Trocando em miúdos…

Meu nome é Vitor Lopes. Nasci na cidade de São Paulo no verão de 1975. Aos doze anos, ganhei um violão. Aos catorze, uma gaita. Todos os dias eu chegava da escola lá pelas duas da tarde, almoçava e me trancava no quarto. Ficava afinando o violão e assoprando a gaita. De repente, alguém batia na porta: “Venha jantar”. E assim, mais uma tarde passara num segundo…como se fosse um passe de mágica…até hoje sinto a música dessa mesma maneira, como uma coisa mágica, que me leva para outros mundos, outros tempos e me aproxima cada vez mais de mim mesmo.

Quando me dei conta, já estava tocando em festivais na escola, inaugurando praças, fazendo shows, dando aulas. Comecei pela gaita mesmo, com professor, o melhor gaitista do mundo, Omar Izar, até hoje em atividade aqui na capital. Depois, fui ver de perto o violão, junto de Celso Brescia Leal. Mas logo percebi que o meu futuro estava naquele pequeno instrumento. Fui procurando outros professores, mas não havia. Assim, fui estudar improvisação com o guitarrista José Roberto Araújo, depois, com o saxofonista David Richards. E percepção com o pianista Ricardo Brein. E re-harmonização e arranjo com o também pianista Cláudio Leal.

Um dia, aconteceu uma grande revelação. Estava tentando uma bolsa para estudar jazz fora do país quando um professor me chamou para assistir a um show seu. Fui. Lá, no seu grupo, havia um sujeito franzino tocando um tipo de guitarrinha elétrica, pequenininha. Ele tocava com uma técnica perfeita, limpa, improvisava como um demônio, fazia piadas musicais, se é que isso existe, e se divertia como um menino. Estava ali o meu caminho. Esqueci essa história de jazz, de exterior, de tudo o mais e fui atrás dele, Milton Mori, a quem até hoje chamo carinhosamente de “mestre” e com quem tenho a honra de partilhar tantos trabalhos.

Com o Miltinho, minha vida mudou. Descobri o choro e, no choro, descobri o caminho que queria para desenvolver as habilidades que um músico brasileiro precisa ter: virtuosismo, sonoridade, precisão, suingue, improviso… havia encontrado a minha escola! Em pouco tempo já me apresentava com o grupo Caindo no Choro. Fui convidado a tocar no regional do Canário, na Praça Benedito Calixto, onde permaneci por quase sete anos e que me permitiu tocar com Carlos Poyares, Charles da Flauta, Niquinho, Pascoal, Fofo, Seu Wilson, entre tantos outros autênticos chorões da velha guarda.

Pouco tempo depois, outro encontro decisivo: conheci Guga Murray, violonista carioca radicado em São Paulo; e juntos começamos um duo, que logo se transformou em trio com a entrada de Marcelo Costa. Nascia Um Trio ViraLata, com quem gravei dois CDs e realizei nove turnês pela Europa.

Numa tarde no final de 2005, fazia uma gravação num estúdio em São Paulo, quando o dono do estúdio entrou na técnica. Percebi pelo aquário que todos ficaram tensos com a sua entrada, afinal, ele era o chefe, e não parecia estar de bom humor. Ele cochichou algo para o técnico, que parou a gravação. Ouvi pelo fone de ouvido: “Você é que é o gaitista que toca chorinho?” Não gostei do tom, mas respondi calmamente: ” Bom, eu toco choro sim, mas não sei se sou ‘o’ gaitista.” “ E você toca mesmo ou só engana? ”Aí eu me enfezei: “Eu só engano.” Falei sério, nenhuma sombra de sorriso para dissimular. Vi que as pessoas estavam falando coisas para ele, que finalmente falou:” Você pode passar aqui na terça pra gente conversar?”E assim, desse jeito meio enviesado é que acabei gravando o meu primeiro CD dedicado ao choro, o primeiro do gênero gravado por um gaitista. Um CD muito elogiado e muito vendido, já tendo alcançado a marca de sete mil unidades, nada mal em tempos de Ipod.

Em fevereiro de 2006, outra aventura: gravar o novo trabalho do Um trio ViraLata, ao vivo, na França! Fizemos como na gravação do nosso primeiro CD, de 2003: ensaiamos como loucos, fizemos três noites de concertos, gravamos tudo e escolhemos os melhores takes. Simples assim. E em outubro, voltei para fazer o lançamento em solo francês!

No carnaval de 2009, o acontecimento mais importante de toda a minha vida: nasce meu filho, Madhu, de parto natural em casa, pesando 2,45 Kg e esbanjando saúde. Minha vida nunca mais seria a mesma…

Ainda em 2009 ganhei um lindo presente, a estatueta de ferro fundido da APCA, prêmio ao Melhor Instrumentista do Ano. E em outubro do mesmo ano, fiz uma das minhas atuações mais audaciosas: um concerto solo para gaita, na festival Les Harmonicales, em Limoges, na França! Esse concerto vai se transformar num livro-CD com 24 estudos que compus especialmente para gaita cromática, os Estudos Brasileirinhos para Gaita Cromática.

E assim vou seguindo o meu caminho, tocando com os meus amigos e mestres, como o Chico Saraiva, a Ana Fridman, o Jean-Luc Thomas, o Nélson Ayres, o Toninho Carrasqueira, o Alessandro Penezzi, o Guga, o Marcelo, a Rô. A cada encontro, um novo universo, uma nova alegria. E ao final de cada apresentação, já vou esperando pela próxima, porque a música é realmente uma coisa mágica, que me leva para outros mundos, outros tempos e me aproxima cada vez mais de mim mesmo.